Os especialistas já sabem que os problemas cardiovasculares são fatores de risco para a demência: quem apresenta doenças cardiovasculares está mais sujeito a desenvolver também alterações neurológicas. A nova informação é que os indivíduos com comprometimento cardiovascular e que estão continuamente expostos à poluição, ainda que baixa, aumentam o risco de desenvolver a demência. Esta foi a conclusão de um estudo realizado no Instituto Karolinska, na Suécia.

A demência é uma condição progressiva e compromete o controlo emocional, o comportamento social e a capacidade de tomar decisões. Atualmente, em todo o mundo, ela é uma das principais causas de incapacidade entre os idosos e, segundo a Organização Mundial da Saúde, atinge cerca de 50 milhões de pessoas. Infelizmente, não há cura para a demência. Uma vez instalada a doença, ela não retrocede. Diante deste cenário, os cientistas procuram, incansavelmente, a prevenção ou, ao menos, as formas de minimizar os fatores de risco.

A pesquisa foi publicada no periódico JAMA Neurology. Os pesquisadores acompanharam 3 mil adultos, com idade média de 74 anos, durante um período de 11 anos. Eles moravam no centro de Estocolmo, onde o nível de poluição do ar é baixo, comparado aos padrões internacionais. Mais de 350 participantes desenvolveram a demência ao longo dessa década. A falência cardíaca – quando o músculo cardíaco está fraco para bombear o sangue – e a doença cardíaca isquémica aumentaram o risco de desenvolver a demência. Mas, o derrame foi o principal problema. Ele esteve presente em quase metade dos casos de demência associados à poluição do ar.

A ligação entre a poluição, as doenças cardiovasculares e a demência têm sentido se nós fizermos o caminho inverso dos fatores. Os especialistas já demonstraram que a poluição do ar compromete a saúde cardiovascular. Esta, por sua vez, pode acelerar o declínio cognitivo. Ou seja, a qualidade do ar tem relação com a cognição, ainda que indiretamente.

Com a crescente e constante mudança da população para as áreas urbanas, a exposição à poluição tende a crescer. Como nós não podemos reduzir a poluição rapidamente, muito menos sem grandes ações, cabe a cada um cuidar da saúde do coração: alimentação equilibrada, atividade física regular e distância do cigarro.

Fonte: Jama Neurology

Atualizado em 29/07/2020.

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