Além dos défices cognitivos clássicos, é fundamental nós estarmos atentos para os outros sintomas que se manifestam na doença de Alzheimer. Muitos médicos consideram que os sintomas comportamentais sejam, inclusive, os mais desafiadores e difíceis de tratar. As alterações comportamentais e de personalidade, presumem os especialistas, advêm da degeneração progressiva de circuitos cerebrais.

Paralelamente à perda de neurónios, vários fatores ambientais também podem contribuir negativamente para o princípio e a progressão desses sintomas. Muitos pacientes com Alzheimer não convivem bem com as mudanças de rotina, como a troca de domicílio ou de cuidadores.

O neurologista Dr. Júlio César Guia Pereira Filho, membro da Sociedade Brasileira de Neurologia, Coordenador do Hospital Municipal do Campo Limpo e parte do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo, explica abaixo os tratamentos medicamentosos mais atuais e disponíveis para os sintomas associados, de acordo com as fases da doença de Alzheimer.

Nas fases precoces, as alterações mais presentes são:

  1. Ansiedade
  2. Irritabilidade
  3. Depressão

Em estágios mais avançados, nós podemos perceber:

  1. Agressividade – a violência física e as palavras inapropriadas
  2. Comportamento social inadequado e desinibido
  3. Alucinações auditivas e visuais
  4. Maior agitação
  5. Alteração do sono e do ritmo circadiano
  6. Confusão mental em locais com pouca iluminação
  7. Agravamento da depressão
  8. Dificuldade para expressar os sentimentos

Quando os pacientes apresentam alteração comportamental, é primordial afastar as causas externas que possam justificar esses sintomas, principalmente se for uma alteração súbita. As principais causas são os efeitos colaterais de medicamentos prescritos inadvertidamente e as infeções ocultas.

Portanto, antes de inserir mais uma medicação à rotina do paciente, é importante compreender como está o quotidiano e os outros aspectos da saúde. Vale considerar alguns fatores:

1. O ambiente (a iluminação, os objetos, os ruídos, a temperatura)
2. A compreensão por parte dos cuidadores das necessidades e limitações do paciente
3. Os fatores predisponentes (as infeções, as dores, a constipação)
4. A rotina de sono (os horários, o consumo de álcool e de cafeína, as atividades estimulantes no período da noite e os medicamentos em uso.

Quando as medidas não farmacológicas não forem suficientes para o controlo dos sintomas, o médico especialista pode recomendar uma terapia medicamentosa como complemento. Como o paciente com Alzheimer geralmente já faz uso de outras substâncias, é fundamental considerar:

  1. Os riscos x os benefícios
  2. O fármaco mais adequado para cada sintoma
  3. As interações medicamentosas, os efeitos colaterais e as dosagens utilizadas

Para controlar os sintomas comportamentais associados à doença de Alzheimer, as principais classes de medicamentos utilizadas são:

Os antidepressivos: utilizados para controlo de humor e de ansiedade

Principais representantes: fluoxetina, sertralina, escitalopram, citalopram, paroxetina, trazodona (benefício para o controlo do sono)

Atenção especial com os antidepressivos com potencial anticolinérgico, que provocam redução de acetilcolina, e os benzodiazepínicos pelo risco de piora cognitiva e de quedas.

Os antipsicóticos: utilizados para controlo de agressividade, alucinações, agitação excessiva e controlo do­­­ sono­­­­­­

Dar preferências aos atípicos/nova geração de fármacos que apresentam menor potencial de efeitos colaterais
Principais representantes: quetiapina, aripiprazol, olanzapina, clozapina, haloperidol e risperidona

Os estabilizadores de humor/ os anticonvulsivantes: utilizados para variação excessiva de humor

Cuidado com os potenciais efeitos colaterais e as interações medicamentosas
Principais representantes: carbamazepina, ácido valpróico

Os indutores de sono: utilizados para controlo de ritmo circadiano e de insônia
Principais representantes: melatonina, zolpidem, zopiclona.

É de extrema importância ressaltar que as terapêuticas citadas a seguir não substituem a orientação do médico de confiança de cada paciente. O canal Thereus Health, de forma alguma, sugere que os tratamentos sejam seguidos por todas as pessoas com a doença de Alzheimer e as outras demências. Ao publicar esse conteúdo, nós mantemos o nosso propósito de esclarecer as dúvidas, aumentar a literacia e ampliar o conhecimento sobre as patologias que atinge milhares de pessoas em Portugal.

Atualizado em 09/07/2020.

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