Quando se pensa em demência ou na doença de Alzheimer, os primeiros sintomas que vêm à mente são o esquecimento de episódios do quotidiano e o comprometimento da memória em relação a acontecimentos recentes. Esses são, de facto, os sinais mais clássicos e conhecidos. Porém, não são os únicos, tampouco são os mais incapacitantes e angustiantes. Muitos doentes com a demência, os diversos tipos, desenvolvem um comportamento desafiador que é o de esconder ou guardar objetos em locais incomuns. Remexer as gavetas, os armários e os baldes do lixo em busca de algo também acontece. Procurar, no entanto, pode ser a consequência do guardar. O indivíduo não sabe onde pôs algo importante, então ele precisa procurá-lo. Geralmente, são comportamentos detectados em doentes com a demência em estágios iniciais. Eles sabem que algo está a se passar e tentam resgatar certo controlo.

Para os cuidadores, essas formas de agir podem ser muito frustrantes pela desordem que causam. O doente revolve tudo do lugar e depois ele não consegue organizar novamente. O trabalho para quem está próximo é grande. O alcance, porém, é maior. Os episódios costumam provocar muita ansiedade e agitação no paciente com demência e, não raro, ele acredita que foi roubado ou enganado, quando ele não encontra o que procura. Há casos, também, em que o indivíduo sente conforto e acolhimento ao tocar em fotos e objetos familiares, que lhe trazem as boas lembranças do passado.

Para conduzir esses episódios da forma mais natural e eficaz, a recomendação para o cuidador é que ele tente desvendar o mistério: o que o doente está a procurar? Qual é o sentimento ou a necessidade envolvida? Ele pode estar à procura de algo que ele próprio guardou e não se lembra onde está? Ele pode estar à procura de algo familiar ou simplesmente com medo de perder mais uma coisa? Ou, por mais surpreendente que pareça, o doente pode estar com fome, sede, tédio ou solidão? Quando não se consegue explicar e compreender essas sensações, o comportamento sofre importantes alterações.

Independentemente da razão que leva o paciente com demência a esconder e, na sequência, procurar de forma desorganizada por algo, é fundamental garantir a segurança dele e preservar os objetos envolvidos. É importante pôr em prática as sugestões a seguir:

– Esconder tudo o que possa oferecer perigo. As facas, as tesouras, os produtos químicos e os objetos cortantes.

– Guardar o que tem valor. As joias, o dinheiro, as coleções, os objetos de família.

– Organizar uma gaveta ou um armário ‘fictício’, com objetos sem importância, e explicar para o doente que ali ele pode mexer, procurar, baralhar. Selecionar os itens que tenham relação com a história de vida dele, que façam sentido para ele.

– Ao observar a agitação e a ansiedade no doente, enquanto ele procura por algo, certifique-se de que ele não está com fome ou sede. Recomenda-se fazer algumas perguntas para tentar perceber a motivação dele.

– Se o doente manifestar a paranoia ou acreditar que ele foi roubado ou ludibriado, é melhor conversar com o médico. Os quadros clínicos de alucinação acometem doentes em estágios avançados.

– Guardar as chaves, as medicações e os outros itens indispensáveis para o dia a dia em locais seguros e inacessíveis.

– Recomendação: por mais irritante que possa ser esse comportamento, o doente, de alguma maneira, está à procura de uma ordem, uma organização, um conforto.

Fontes: Harvard Medical School, Alzheimer’s Association

Atualizado em 02/07/2020.

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